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Scans: pirataria de revistas em quadrinhos

05 MAI 2007

Nota: Quer mais textos sobre o assunto? Então conheça meu blog, o Praticamente Inofensivo!

Salve amigos!

Hoje irei comentar sobre pirataria. Não a pirataria de arquivos de áudio, software ou de filmes[bb], bastante conhecidos e que são sempre notícia, e sim de uma menos conhecida da grande mídia. Os famigerados “scans”, como são conhecidos as revistas em quadrinhos[bb] escaneadas e disponibilizadas na internet.

Resolvi falar sobre isso depois que li a seguinte notícia no Omelete. Nela, Dan Slott, o autor das revistas Mulher-Hulk e Avengers: The Initiative critica a pirataria de revistas, pois os autores não são remunerados. Ele está certo, mas eu fiquei matutando sobre o assunto tempo suficiente para poder gerar este post.

Xerox

Eu acredito que a pirataria não exista apenas por existir. Ela possui vantagens (além do preço, mas freqüentemente é o principal diferencial) que cobrem justamente os defeitos da mídia original sem aparentemente defeitos (pelo menos para o lado do usuário).

Infelizmente, as produtoras não percebem ou não querem perceber as falhas da sua forma “analógica” de mídia e as vantagens trazidas pela pirataria digital. Elas devem simplesmente pensar: não lucramos com a pirataria, temos que combatê-la. Mas em vez disso, deveriam pensar: como podemos lucrar com a pirataria?

Como leitor ocasional de revistas em quadrinhos (tanto scans quanto as tradicionais), gostaria de dar a minha opinião sobre o assunto.

Vantagens e desvantagens do modelo convencional

Feiticeira Escarlate

O “modelo convencional” é a forma que todos conhecem: revistas impressas vendidas em bancas de revistas e livrarias[bb]. Eu sempre comprei revistas em quadrinhos, alguns anos mais que em outros. Sempre variando de gênero e editora. Então tenho um certo “cacife” para falar das vantagens e desvantagens ;-).

Vantagens

  • Rentabiliza as pessoas que trabalharam para você ter aquela obra. Essa é a principal vantagem. Afinal, a revista não é de graça e várias pessoas trabalharam duro para que você tivesse seus 15 minutos de divertimento em forma de 24 páginas de papel.
  • Ler uma revista de papel é mais agradável. É muito mais agradável ler uma revista impressa no papel que no monitor de um computador. É mais portável também, você pode ler na cama, ou no ônibus, ou na sala de aula :P.
  • É uma garantia de qualidade. Ao menos teoricamente, comprar uma revista vai lhe garantir ao menos que as páginas não estão faltando, ou que a tinta não está borrada, ou que a tradução tenha sido feita errada.

Desvantagens

  • Distribuição Setorizada. Nem sempre a revista que você almeja comprar está disponível na sua região. As editoras e distribuidoras em geral culpam as baixas vendas por isso, mas para quem compra é um pé no saco. Pior é quando você começa a comprar uma revista e ela se torna setorizada depois de algumas edições.
  • Preço nem sempre compatível. Sejamos realistas, não é fácil, especialmente se você for um estudante adolescente que depende da mesada do pai, gastar R$ 6,90 em uma revista em quadrinhos. Isso reduz bastante a quantidade de revistas compradas. É pior quando as grandes editoras resolvem lançar um grande evento, com dezenas de revistas interligadas. Todo ano existe pelo menos um evento do tipo. Por exemplo, ano passado houve na Marvel o evento “Civil War” com aproximadamente 100 revistas relacionadas. Além do mais, revistas em quadrinhos podem ser consideradas como “literatura para massas”. Mas por este preço pouco convidativo, ela perde esta característica, pois são poucos os que podem acompanhar.
  • Demora para novos lançamentos. Hoje nem tanto, mas a alguns anos atrás só existia uma editora que cuidava de distribuir quadrinhos internacionais no mercado nacional. Hoje existem mais editoras e com isso este problema foi minimizado. Contudo, ainda pode demorar meses para que determinada revista seja lançada por aqui. Ou mesmo nunca ser lançada.
  • Baixa qualidade das Histórias. Imagina que legal deve ser gastar R$ 6,90 em uma revista com quatro histórias, e descobri que nenhuma delas vale o papel em que foram impressas? E que tal comprar uma revista com 90 páginas, quando na verdade você só quer ler uma história de 24 páginas que é a única que você tem certeza que é boa?

Vantagens e Desvantagens do “Modelo Digital”

She-Hulk

É claro que com “modelo digital” eu quero dizer as revistas escaneadas :P. Gostaria de deixar claro que eu não baixo revistas que estão nas bancas, apenas leio aquelas que não se encontram mais em canto nenhum, escaneadas por pessoas que querem preservar a revista. Também leio quadrinhos independentes (divulgadas pela internet pelo próprio autor). Depois deleto tudo do HD :-).

Vantagens

  • Preço. Provavelmente a principal vantagem, mas não a mais importante. Numa época em que informação é tão abundante, pagar um preço relativamente elevado para se ter acesso a mais informação (mesmo que seja voltada para o entretenimento, mas duvido que 90% dos usuários usem a internet apenas para estudar) pode parecer um pouco supérfluo. Não pagar é muito mais convidativo, da mesma forma que na época em que eu estudava, esperava alguém comprar determinada revista, e para depois passar para o resto da sala ler.
  • Muito mais acessível. Os Scans chegam muito rapidamente à internet. Em geral no mesmo dia em que saem nas bancas nos EUA. Da internet, vão para grupos que se dedicam à traduzir as revistas para outros idiomas, e depois disso elas ganham o mundo. Muito mais rápido do que esperar meses até uma editora local negocie os direitos para publicar a revista e depois a traduza.
  • É muito mais fácil de guardar e compartilhar. Para mim a melhor vantagem disparado. Na época em que eu comprava muitas revistas, cheguei a acumular umas 300 revistas dentro do armário, que só faziam acumular poeira. Além do mais, com o passar dos anos foi ficando cada vez mais incompleta, pois eu emprestava edições e me esquecia de pegar de volta, e a pessoa que pegou emprestada esquecia de devolver ou emprestava para aquele “amigo que vai ter muito muito cuidado” e esquecia de pegar de volta. Com a revista digital não tem este problema. Aquelas 300 revistas caberiam dentro de um CD, e eu poderia emprestar cópias para os meu amigos sem precisar me preocupar com a devolução.

Desvantagens

  • Não paga à quem merece. Principal problema, na minha opnião. Houve muito trabalho para aquele material fosse produzido e publicado da “maneira convencional”. É justo que elas recebam sua parte das vendas. Com o scan, elas deixam de receber pelas revistas que ficaram disponíveis gratuitamente na internet. Contudo, existe outro fator que é necessário de ser analizado. Não é porque uma pessoa é ávida consumidora de scans que ela também seria uma grande compradora de quadrinhos se por acaso os quadrinhos ficassem indisponíveis. O leitor de scans quer ler quadrinhos, e nada mais. Se a fonte de scans acabar, provavelmente ela deixaria de acompanhar a série, em vez de procurar comprar o original. Ou seja, nem sempre um consumidor de scans pode ser considerado como público-alvo.
  • Nenhuma garantia de qualidade. A tradução é feita por fãs, de forma gratuita. Não se pode esperar um texto sem erros de tradução ou de gramática. Alguns textos tinham até palavras e balões inteiros faltando.
  • Nenhuma garantia de continuidade. Os scans são feitos sem nenhuma garantia, então, não é incomum você não encontrar o final de determinada série, especialmente se ela for muito longa, ou não tiver um fim aparente, como são os quadrinhos mainstream (das grandes editoras, conhecidos como Batman, Homem-Aranha, Super-Homem, X-men, etc.). Pode acontecer do grupo de scans de dissipar, ou daquela série de quadrinhos que você acompanha deixar de ser destaque e ser esquecida, ou o site que estava hospedando as revistas ficar offline.

O dilema Scan vs. Revista tem solução?

Ultimate Spider-man

É evidente, assim como na indústria televisiva e cinematográfica, que a indústria de quadrinhos está passando por uma crise, uma necessidade de “digitalização”. Simplesmente o modelo atual não é mais tão atual assim, muito menos o mais vantajoso, e está deixando de funcionar.

Pensei em algumas formas que, em teoria, deixariam o mercado quadrinístico mais competitivo com sua versão digital pirata. É claro que tudo que eu estou falando aqui não passa da minha opinião pessoal, uma pessoa que não tem o menor contato com o ramo editorial de quadrinhos. Então, posso errar em algumas coisas, mas na minha cabeça as idéias são ótimas ;-).

  • Baratear o custo das revistas em quadrinhos. Resposta mais óbvia. reduzir o preço o máximo possível, para que as pessoas em vez de gastarem R$ 6,00 em uma revista, gastem R$ 6,00 em 3 revistas. Poderiam ser lançadas edições normais, para o consumo, e edições de luxo para colecionadores. Isso já é feito, mas os preços variam de normal para caro (no caso das edições de colecionador).
  • Bonificar os compradores com material extra. A idéia é fazer como os DVDs de filmes. Além do filme original, você também ganha um DVD com material adicional (_making offs_, entrevistas, etc). Assim, o comprador de revistas em quadrinhos teria vantagens que leitores de scans não tem. Pode ser um cupom para juntar e trocar por camisetas, ou outros escambos. Também seria interessante passar a oferecer descontos em compras de outras revistas.
  • Passar a oferecer as revistas digitalmente. A minha preferida. Eu acho que o scan é um caminho sem volta, assim como a distribuição de séries e sinal de TV pela internet. A única saída que vejo é a editora parar de combater o scan e passar a produzir ela mesmo o scan, mas obtendo algum lucro com isso. Por exemplo, imagine um sistema online, onde as pessoas pagassem uma mensalidade baixa e teriam acesso a todas as revistas da editora (ou poderia haver planos diferentes com preços e quantidades de revistas variadas). Elas poderiam ler e consultar as revistas diretamente no navegador, sempre que quiserem, bastando ter uma conexão com a internet. Isso abriria a possibilidade para inúmeras outras possibilidades, como:
    • Criar uma comunidade em torno das revistas, onde as pessoas poderiam ler e depois comentar com outros usuários do sistema, via fórum ou chat;
    • Cada usuário poderia ter uma cota de “empréstimos virtuais” por mês, digamos que cinco. Funcionaria assim: todo mês o usuário pagante poderia enviar revistas para X amigos. Estes amigos na verdade receberiam um nome de usuário e senha temporários, com data de expiração de poucos dias e teriam acesso a apenas aquela revista compartilhada em particular. Pronto, inventou-se o equivalente virtual do “emprestar a revista”, sem o perigo do seu amigo nunca mais devolvê-la de volta :-P. Além disso, este amigo que foi convidado à usar o sistema por alguns dias pode se tornar um cliente em potencial;
    • Poderia haver um sistema de gratificação. O usuário ganharia um desconto na mensalidade ou um bônus se algum usuário que ele indicou se registrasse no sistema. Ou então poderia haver um sistema de colaboração de tradução: os usuários ajudariam a traduzir as revistas como se fossem tradutores contratados, e em troca ganhariam algo.

Ou seja, para mim, é uma opção bastante razoável transformar as revistas impressas em documentos digitais. Mas Não acabaria com a pirataria de scans. Criaria uma opção rentável, que teria algumas das características dos próprio scan. Haveria economia por parte da editora, pois não haveria impressão de revistas. Contudo, haveria um gasto extra, do servidor para hospedar os arquivos. Mas acredito que a economia seria maior que o novo custo. Além do mais, hoje já existe TV P2P, imagina se fosse inventado a HQ P2P ;-).

O sistema também poderia ter outras formas de rentabilidade, além do pagamento de mensalidade. Como a já conhecida publicidade. No site Deviant Art exibe de tempos em tempos uma página só com publicidade, enquanto você navega pelo site. Posso imagina uma página com publicidade a cada 10 páginas de quadrinhos virtual. Infelizmente seria um mal necessário.

X-men Edição Histórica

Poderia haver uma complementação entre o modelo convencional e o sistema que eu sugeri acima. Enquanto que as revistas mais atuais estariam nas prateleiras das bancas de revistas, o sistema web poderia oferecer apenas as revistas que não se encontram mais publicadas, como se fosse um sebo virtual.

Mas tudo isso não passa de devaneios da minha cabeça… Eu acho. Ou será que já foi feito e eu não sei? Bom, se algum dono de editora de quadrinhos por acaso passar pelo meu site e resolver executar a idéia, não esqueça de me dar os créditos e uma bonificação :D.

Até mais!

Nota: Gostou deste post? Então conheça o meu outro blog só deste assunto, o Praticamente Inofensivo!

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1 Comentários:

imagem de André Luiz

1. André Luiz*

Disse em dom, 09/11/2008 - 16:41

Olha só, apesar do post ser um pouco antigo, acabei de ler e achei muito atual.

Faço parte da população que curte HQs há um bom tempo, e que também já dediquei um bom tempo desenhando e lendo hqs em geral, mas infelizmente estive meio afastado deste mundo devido à minha vida profissional na área de informática. Mas há um bom tempo estive pensando em desenvolver um sistema P2P para a troca de Scans e outras ferramentas de comunicação entre os usuários para unir o útil (minha profissão) e o agradável (meu hobby) e achei muito interessante a sua abordagem sobre as possibilidades deste tipos de sistema. Só acho meio complicado devido a própria característica de violação dos direitos autorais contida neste tipo de sistema P2P de troca de scans, mas como realmente todos sabem e que alguns tentam não aceitar é que este é mesmo um caminho sem volta e hoje em dia já se encontra de tudo de forma gratuíta na Internet.

O sistema que pensei em desenvolver seria algo tanto direcionado para os leitores mesmo, tipo de leitor para leitor, quanto para todos os coadjuvantes do ecosistema de quadrinhos: escritor, desenhista, arte-finalista, balonista, tradutor, colorista, distribuidor, etc. Assim, além de poder agilizar os processos envolvidos em cada setor (com ferramentas de colaboração, comunicação e desenvolvimento à dsitância via Internet) permitindo a criação e interação em conjunto entre as diversas áreas de criação e a própria leitura de forma completamente digital via Internet. Além de viabilizar os conteúdos em si (os hqs digitalizados via scans), o sistema possibilitaria salvar em Banco de Dados todos os outros dados relativos ao gibi: como nome do gibi, data de publicação, escritor, desenhista, colorista, etc. possibilitando assim indexar todos os quadrinhos já publicados e os que vierem a ser tanto de forma independente ou não (das grandes editoras que todos conhecemos) quanto permitir também links para o perfil e/ou blog dos profissionais envolvidos no hq para que comentem suas criações e recebam o feedback dos leitores.

Assim, como um sistema P2P, seria muito difícil coibir tal prática de troca de scans assim como a distribuição dos mp3s e filmes pela internet, já que somente os próprios scans poderiam ser distribuídos via P2P e o restante do sistema com a informações relacionadas (autor, desenhista, etc.) ficaria salvo em um lugar fixo, não ferindo nenhum direito autoral e servindo como base para consultas em geral. Dentro do sistema também existiriam as tais propagandas para que seja econômicamente viável sua implementação e manutenção já que o sistema seria complentamente gratúito a todos os usuários (pois creio que tentaivas de combranças de assinaturas nunca irão conseguir competir com a gratuidade :) ).

Gostaria de receber se possível opinões à respeito desta idéia e se podeiria ser viável ou mesmo se seria bem vista pelos internautas e leitores de quadrinhos.

[]'s,

André Luiz

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